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Existem
certos momentos em que, mais do que nunca, sentimos a urgência
de viver.
Teddy Kollek, prefeito de Jerusalém, propõe
em sua autobiografia um 11º mandamento: "Não
serás paciente".
À
primeira vista, tal conselho parece ir contra uma das qualidades
mais valorizadas pela humanidade - a paciência é
uma virtude! No entanto, ao refletirmos sobre as palavras
de Kollek, percebemos que elas contêm uma grande sabedoria.
A
impaciência é necessária para remediar
nossa tendência tão humana de protelar. Pois
a verdade é que, em muitas áreas vitais de
nossa existência, somos pacientes demais.
Esperamos
demais para fazer o que precisa ser feito, num mundo que
só nos dá um dia de cada vez, sem nenhuma
garantia do amanhã. Enquanto lamentamos que a vida
é curta, agimos como se tivéssemos à
nossa disposição um estoque inesgotável
de tempo.
Esperamos
demais para dizer as palavras de perdão que devem
ser ditas, para pôr de lado os rancores que devem
ser expulsos, para expressar gratidão, para dar ânimo,
para oferecer consolo.
Esperamos
demais para ser generosos, deixando que a demora diminua
a alegria de dar espontaneamente.
Esperamos
demais para ser pais de nossos filhos pequenos, esquecendo
quão curto é o tempo em que eles são
pequenos, quão depressa a vida os faz crescer e ir
embora.
Esperamos
demais para dar carinho aos nossos pais, irmãos e
amigos. Quem sabe quão logo será tarde demais?
Esperamos
demais para ler livros, ouvir músicas e ver os quadros
que estão esperando para alargar nossa mente, enriquecer
nosso espírito e expandir nossa alma.
Esperamos
demais para enunciar as preces que estão esperando
para atravessar nossos lábios, para executar as tarefas
que estão esperando para serem cumpridas, para demonstrar
o amor que talvez não seja mais necessário
amanhã.
Esperamos
demais nos bastidores, quando a vida tem um papel para desempenharmos
no palco.
Deus
também está esperando - esperando nós
pararmos de esperar. Esperando nós começarmos
a fazer agora tudo aquilo para o qual este dia e esta vida
nos foram dados.
Sermão
do Rabino Henry Sobel
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