O velho Departamento de Pessoal fica High Tech – 07/03
 

O departamento de pessoal das empresas, basicamente envolvido com a folha de pagamento dos funcionários, caminha para uma merecida aposentadoria. Já prestou bons serviços às empresas, mas chegou a hora e a vez do novo, o mundo colaborativo.

Hoje, o cenário da área de recursos humanos é cada vez mais dominado pela tecnologia de ponta - portais de internet, sistemas automatizados de fluxo de trabalho, ensino à distância, marketing por correio eletrônico e por aí afora. São tecnologias que procuram auxiliar as organizações a melhor administrar seus empregados.

Tudo está baseado no conhecimento. "As empresas resolveram investir no capital humano para aumentar a competitividade", avalia Antônio Figueira Lellis, sócio-diretor da Sunsiring, empresa na área de consultoria e implementação de projetos de RH. É um conceito relativamente novo no Brasil. Historicamente, acrescenta, o país nunca foi bem atendido por soluções na área de gestão de RH. Sempre privilegiou a parte financeira, a área de manufatura, de distribuição, enquanto o setor era relegado a segundo plano. "A preocupação era o holerite", afirma.

Agora, as empresas despertam para novas (e boas) práticas em gestão de pessoas, conforme mostra estudo realizado pela PricewaterhouseCoopers com mais de 100 empresas na América Latina. "As empresas estão acordando para o conceito de gestão de RH", insiste Lellis.

Evidentemente, é um movimento liderado pelas grandes corporações, mas as médias empresas, assinala, também estão descobrindo as vantagens do conhecimento. "As companhias que estão revendo processos com ferramentas de gestão conseguem níveis de produtividade da ordem de 40%".

Recrutamento digital e e-learning

O impacto da tecnologia é positivo, principalmente sob o aspecto de seleção de pessoal. "O recrutamento eletrônico de candidatos traz ganhos de custos e de tempo inestimáveis", conta Margareth Naufal, sócia-diretora da Andrade Naufal Recursos Humanos. De imediato, as empresas ganham mais tempo para usar na inteligência do seu próprio negócio. Os sites na internet, por sua vez, permitem o cadastramento de currículos na base de dados da empresa, reduzindo os arquivos em papel e facilitando o acesso imediato no momento da escolha dos candidatos.

O chamado e-learning - aprendizado à distância, por meio da internet - é outra importante área operacional e estratégica para educação e treinamento dos empregados. Os benefícios são freqüentes. Algumas empresas estão integrando ferramentas de e-learning com programas de gerenciamento de competências para estabelecer links entre a falta de habilidades e a gestão da força de trabalho.

Se na atividade de processamento de folhas de pagamentos e outros benefícios do setor de RH o impacto da tecnologia é implacável - quase a mesma coisa que representa no setor de automação industrial - no lado da gestão das pessoas a utilização de ferramentas avançadas de computação está impulsionando as empresas a valorizar cada vez mais a competência. "É a meritrocacia, de fato, porque a informação é poder e está disponível de maneira mais fácil e mais ágil. É a democratização da informação", define André Sapoznik, diretor geral da Incentive House, agência de marketing de relacionamento pertencente ao Grupo Accor no Brasil, responsável por trabalhos nas áreas de incentivo e motivação de funcionários.

As novas plataformas de computação disponíveis nas áreas de RH das empresas, segundo Sapoznik, proporcionam uma série de ganhos, especialmente ao conduzir a processos de recursos humanos mais self-services. O que isso significa? "Se uma empresa tem uma série de benefícios para conceder aos funcionários, ao invés de fazer de forma centralizada, executa isso por meio de ferramentas como uma intranet. O programa pode ser acessado pelos próprios empregados, que escolhem o que lhes for mais conveniente no momento - se vai querer ticket-refeição, ticket-alimentação, assistência médica ou odontológica. "A empresa dá uma cesta de pontos e o funcionário escolhe o que faz mais sentido na ocasião, para sua família, para seu modo de vida", explica o executivo.

Os talentos nas empresas são hoje imprescindíveis, os programas de retenção e motivação das pessoas são cada vez mais freqüentes, os planos de incentivo enfatizam treinamento, processos de avaliação de competência e promoção de cargos. Mas por que, muitas dessas iniciativas, conhecidas há pelo menos uma década, ainda falham? "Por falta de um efetivo comprometimento gerencial e porque estas ações não estão integradas num conjunto de iniciativas mais abrangentes, mais estruturadas, das corporações", analisa Carlos Alberto Caram, diretor executivo da Integrated System Diagnostics Brasil (ISD-Brasil).

Segundo Caram, é preciso que as empresas criem infra-estruturas para melhoria da capacidade de trabalho de seus funcionários, sistemas de melhoria da qualidade, implementadas de forma gradual e contínua. "Numa organização mais madura a capacidade de trabalho está relacionada com o desempenho dos negócios e deve ser definida em linha com os objetivos estratégicos da empresa".

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RH online

Aspectos de RH mais importantes no Brasil, segundo o Estudo das Melhores Práticas e Estratégias de Gestão de Pessoas, realizado pela PricewaterhouseCoopers:

1. Desenvolvimento de liderança
2. Mudança cultural organizacional
3. Gestão por competência
4. Aumento de produtividade no trabalho
5. Retenção
6. Programas de remuneração e benefícios
7. Programa de treinamento e aprendizado
8. Redução do custo de mão-de-obra
9. Gestão do conhecimento
10. Implementação de sistemas

 
 
 


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