| Este
é mais um dos comentários da série que
explica e procura ilustrar cada uma das afirmativas do artigo
"O que eu não gostaria, mas preciso dizer sobre
segurança".
"A
quebra de confidencialidade, integridade ou disponibilidade
das informações é certa. O que especialmente
difere uma empresa de outra, é a forma como estão
preparadas para reagir e administrar a situação.
"
É
quase uma afirmação matemática, pois
se existem falhas e ameaças, portanto risco, o impacto
resultante da exploração da primeira pela
segunda é certo e está exclusivamente dependente
do tempo.
Probabilisticamente
em algum momento a segurança será quebrada,
de uma forma ou de outra, e a eficácia do seu processo
de gestão de riscos diante da necessidade de responder
ao incidente é que vai determinar sua qualidade.
Fórmula
1
Muitas
empresas, que aos olhos do mercado e do seu cliente estão
sólidas, ?protegidas? e imunes aos ataques a informação,
estão na verdade sendo competentes. Não em
se cercar de todos os mecanismos de forma a eliminar o risco,
mas competentes por estarem administrando tão bem
os problemas diários com a segurança que sequer
seus clientes percebem a ocorrência deles. É
simples assim.
Tomando
emprestado novamente o modelo automobilístico para
clarear as idéias, podemos analogamente comparar
uma corrida de velocidade como a Fórmula 1 com o
problema descrito. Os automóveis que participam de
uma corrida como esta, em que todos os seus componentes
são exigidos ao extremo, só têm uma
expectativa: quebrar.
Quebrar
é o fator mais previsível - não quebras
fatais em que o carro sequer chega aos boxes, mas pequenas
quebras que podem tirar tempo precioso do piloto e podem
ser administradas nas paradas.
A
natureza da atividade já pré-supõe
a existência de potenciais problemas no percurso,
o mesmo que ocorre com a empresa que resolve usar o ambiente
de rede pública da internet para suportar seu modelo
de comércio eletrônico.
A
diferença e a competência de ambos será
medida pela forma com que irão responder aos incidentes,
como irão reparar o aerofólio rachado sem
interromper a prova ou o link de rede sobrecarregado por
um novo vírus de computador sem interromper as vendas
no portal web.
Cenários
Para
cumprir essa tarefa com eficácia, o exercício
de previsibilidade é fundamental, mas não
só o exercício técnico em que problemas
e possíveis soluções são estudadas,
mas também exercícios táticos e estratégicos.
É
igualmente importante saber se o carro deve continuar na
corrida ou não caso não seja possível
reparar uma peça, pois pode ser arriscado demais
para o negócio tomar esta decisão ou simplesmente
pode ser estrategicamente importante deixá-lo seguir
adiante.
Sendo
prático, a análise poderia seguir esta linha
de raciocínio: a peca pode ser substituída
ou reparada à tempo? Se sim: troque ou repare a peça.
Se não: a peça quebrada coloca a vida do piloto
em risco? Se sim: interrompa a corrida. Se não: o
carro pode ser totalmente comprometido? Se sim: qual o valor
do carro? Existe tolerância financeira capaz de aceitar
a perda do carro? Se não: vale à pena correr
o risco de perder todo o carro para o piloto dar sua última
volta e assim ganhar o campeonato, gerando lucro suficiente
para a aquisição de 3 novos carros? Se não:
interrompa a prova. Se sim: vá em frente e boa sorte.
Lição
em casa
Todo
esse processo pode parecer demais para algumas empresas,
mas na verdade seu método se aplica a qualquer empresa,
qualquer atividade, qualquer modelo de negócio e
até mesmo pode ser aplicado ao usuário doméstico
de computador.
Pense
no seu computador, um notebook, por exemplo, como uma importante
ferramenta usada para pagar contas via internet, fazer trabalhos
do mestrado, armazenar fotografias de família e para
produzir seu primeiro romance. Agora pense na possível
perda do seu disco rígido, onde tudo está
gravado e transmitindo a você uma falsa sensação
de segurança de que tudo está seguro e acessível
a qualquer hora.
Pois
sem consultar os astros ou os búzios é possível
afirmar que um dia você perderá seus documentos
armazenados neste disco. Verdade. Seja por um defeito de
máquina, seja por uma queda, um raio, um curto-circuito,
um grande copo de refrigerante derramado sobre o teclado,
um furto, a ação devastadora de um vírus
ou pelo simples descuido do usuário ao apagar inconscientemente
seu conteúdo, você o perderá.
Neste
momento, a forma como você exercitou a previsibilidade
determinará o resultado. A peca pode ser substituída
ou reparada? Não: existe alguma alternativa para
recuperar seu conteúdo? Se sim: restaure o backup,
parabéns! Se não: esteja mais preparado da
próxima vez, comece o retrabalho.
*Marcos
Sêmola é Consulting Business Development da
Atos Origin em Londres, Consultor Sênior em Gestão
de Segurança da Informação, profissional
certificado CISM - Certified Information Security Manager
pelo ISACA, BS7799 Lead Auditor pelo BSI, Membro da ISACA,
ISSA, IBGC e do Computer Security Institute, Professor da
FGV - Fundação Getúlio Vargas, MBA
em Tecnologia Aplicada, Pós Graduado em Marketing
e Estratégia de Negócios, Bacharel em Ciência
da Computação, autor do livro Gestão
da Segurança da Informação - uma visão
executiva, Ed.Campus e premiado pela ISSA como SecMaster®,
Profissional de Segurança da Informação
de 2003/2004. Visite www.semola.com.br ou contate marcos@semola.com.br
Fonte:
por Marcos Sêmola - IDG Now!
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